Perdida em urano

entrelacoscaos:

mike,

confesso que queria ter vivido o amor grandioso que prometemos um para o outro,

confesso que te queria encontrar esse ano, que queria te amar de perto.

mas já que não foi possivel, estou vivendo o mesmo amor que tu me prometeu, com alguém que eu sei que me ama o triplo do que tu amou.

alguém que atura minhas crises,

que me ajuda a curar os meus traumas,

alguém que tá ali de verdade.

finalmente deixei de aceitar as migalhas que tu me oferecia e que eu achava serem suficientes,

finalmente estou vivendo um amor grandioso.

daqueles que a gente escuta quando criança e pensa “poxa, será que um dia vou amar tanto assim?”

te confesso que apesar de,

por muito tempo,

ter ansiado nosso encontro,

fico feliz pelo mesmo não ter acontecido.

{senti teu gosto balançando em minha lingua,

nos ingeri sem pensar

quanto de nós ingerimos sem ter conta?}

conjugar-deactivated20201107:

Às vezes

você sabe

que vai bater,

e acelera.

c.

because-i-lost-it-all:

eu poderia passar horas escrevendo de novo sobre o peso dos dias e sobre ruínas e crises de ansiedade

mas hoje não, a. hoje eu quero tentar escrever sobre vida, e sobre como viver muitas vezes é um ato de coragem que nos leva a lugares longe demais

sobre como estar longe não é só sobre o físico, e como estar perto muito menos, e sobre como você tem estado perto mesmo morando na outra ponta do continente

hoje eu quero falar sobre o dia em que ouvi “anyone else but you” na playlist que você me fez de aniversário e em como naquele dia eu tive certeza que as coisas nao precisam ser pesadas o tempo todo, que elas podem sim ser leves e que a paz aparece de vez em quando em momentos pequenos e em gestos menores ainda

porque mesmo que não seja minha praia falar abertamente sobre sentimentos, usar música pra falar por mim é uma área que eu entendo muito bem, e ouvir o que você tem a dizer através de alguns acordes e uma melodia boba foi quase tão bom quanto saber que era recíproco quando a gente meio sem jeito falamos aquelas três palavras

palavras que são diferentes em nossas línguas mas que expressam o mesmo sentimento, que passam a mesma mensagem

a mensagem que tem alguém por aí que se importa com a gente, que se importa comigo, a. alguém que mesmo nunca tendo visto em pessoa sinto que já conheço a milênios

hoje eu desisti de falar sobre como dói pra falar sobre como cura, como às vezes salva e como de vez em quando devolve pra vida o sentido de toda essa luta

obrigado por me lembrar do porquê eu tô aqui, a.

romantically yours.

pulmonias:

cê é de um tempo quando eu só ouvia rock atrás de rock, sabia os nomes de cada jogador do barcelona, as posições. eu tinha o maior cabelão que não cuidava, não dava conta, não tinha saco. eu não usava maquiagem, não desenhava, escrevia textos mais curtos, com menos pontuação. cê é dessa época quando eu não abraçava muito, quando eu ainda sabia só os acordes básicos do violão e pensava que um dia ia dar certo com a guitarra. e eu tinha uma meia dúzia de amigos que eu nem conhecia, pra ser honesta. tinha uma penca de vontades e certezas que hoje parecem pozinho de tang que engulo às pressas a caminho da faculdade. e eu te perdoo por estar meio obsoleto no mural de fotos me dizendo silenciosamente que sente uma saudade que não age. porque você sabe: saudade costuma mover a gente pra algum lugar, que seja o chão do banheiro pra chorar, mas move. mas a sua saudade é estática. faz uma faltazinha mínima e toca pra frente, como quem dá um soluço só e passa. cê é das antigas, de quando eu tinha aquelas feridas abertas e escondia debaixo da roupa e não sabia como estancar. em algum desses momentos eu me entupi de mpb, jazz e um pouquinho de eletrônica nas festas. aprendi uns acordes novos, larguei de vez a guitarra, parei de assistir futebol. escrevo umas coisas esquizofrênicas e fui lentamente te deixando pra trás, congelado nas fotos do moral. e eu respeito esse nosso estilo de saudade, porque ela é própria respeitosa no não agir dela: deixa que a vida toque em continuidade, dessa vez embalada pelas melodias certas. sem isso de ‘se ama vai atrás’. amor é dar espaço, dar tempo, dar distância. tem flor que só germina em nevasca.

roxiestheme
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Perdida em urano

entrelacoscaos:

mike,

confesso que queria ter vivido o amor grandioso que prometemos um para o outro,

confesso que te queria encontrar esse ano, que queria te amar de perto.

mas já que não foi possivel, estou vivendo o mesmo amor que tu me prometeu, com alguém que eu sei que me ama o triplo do que tu amou.

alguém que atura minhas crises,

que me ajuda a curar os meus traumas,

alguém que tá ali de verdade.

finalmente deixei de aceitar as migalhas que tu me oferecia e que eu achava serem suficientes,

finalmente estou vivendo um amor grandioso.

daqueles que a gente escuta quando criança e pensa “poxa, será que um dia vou amar tanto assim?”

te confesso que apesar de,

por muito tempo,

ter ansiado nosso encontro,

fico feliz pelo mesmo não ter acontecido.

{senti teu gosto balançando em minha lingua,

nos ingeri sem pensar

quanto de nós ingerimos sem ter conta?}

conjugar-deactivated20201107:

Às vezes

você sabe

que vai bater,

e acelera.

c.

because-i-lost-it-all:

eu poderia passar horas escrevendo de novo sobre o peso dos dias e sobre ruínas e crises de ansiedade

mas hoje não, a. hoje eu quero tentar escrever sobre vida, e sobre como viver muitas vezes é um ato de coragem que nos leva a lugares longe demais

sobre como estar longe não é só sobre o físico, e como estar perto muito menos, e sobre como você tem estado perto mesmo morando na outra ponta do continente

hoje eu quero falar sobre o dia em que ouvi “anyone else but you” na playlist que você me fez de aniversário e em como naquele dia eu tive certeza que as coisas nao precisam ser pesadas o tempo todo, que elas podem sim ser leves e que a paz aparece de vez em quando em momentos pequenos e em gestos menores ainda

porque mesmo que não seja minha praia falar abertamente sobre sentimentos, usar música pra falar por mim é uma área que eu entendo muito bem, e ouvir o que você tem a dizer através de alguns acordes e uma melodia boba foi quase tão bom quanto saber que era recíproco quando a gente meio sem jeito falamos aquelas três palavras

palavras que são diferentes em nossas línguas mas que expressam o mesmo sentimento, que passam a mesma mensagem

a mensagem que tem alguém por aí que se importa com a gente, que se importa comigo, a. alguém que mesmo nunca tendo visto em pessoa sinto que já conheço a milênios

hoje eu desisti de falar sobre como dói pra falar sobre como cura, como às vezes salva e como de vez em quando devolve pra vida o sentido de toda essa luta

obrigado por me lembrar do porquê eu tô aqui, a.

romantically yours.

pulmonias:

cê é de um tempo quando eu só ouvia rock atrás de rock, sabia os nomes de cada jogador do barcelona, as posições. eu tinha o maior cabelão que não cuidava, não dava conta, não tinha saco. eu não usava maquiagem, não desenhava, escrevia textos mais curtos, com menos pontuação. cê é dessa época quando eu não abraçava muito, quando eu ainda sabia só os acordes básicos do violão e pensava que um dia ia dar certo com a guitarra. e eu tinha uma meia dúzia de amigos que eu nem conhecia, pra ser honesta. tinha uma penca de vontades e certezas que hoje parecem pozinho de tang que engulo às pressas a caminho da faculdade. e eu te perdoo por estar meio obsoleto no mural de fotos me dizendo silenciosamente que sente uma saudade que não age. porque você sabe: saudade costuma mover a gente pra algum lugar, que seja o chão do banheiro pra chorar, mas move. mas a sua saudade é estática. faz uma faltazinha mínima e toca pra frente, como quem dá um soluço só e passa. cê é das antigas, de quando eu tinha aquelas feridas abertas e escondia debaixo da roupa e não sabia como estancar. em algum desses momentos eu me entupi de mpb, jazz e um pouquinho de eletrônica nas festas. aprendi uns acordes novos, larguei de vez a guitarra, parei de assistir futebol. escrevo umas coisas esquizofrênicas e fui lentamente te deixando pra trás, congelado nas fotos do moral. e eu respeito esse nosso estilo de saudade, porque ela é própria respeitosa no não agir dela: deixa que a vida toque em continuidade, dessa vez embalada pelas melodias certas. sem isso de ‘se ama vai atrás’. amor é dar espaço, dar tempo, dar distância. tem flor que só germina em nevasca.

roxiestheme
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